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Luis
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1:41h
Não consigo dormir. Não consigo de deixar de pensar… de pensar. A têmpora esquerda explode sistematicamente cada vez que contraio a sobrancelha, lutando para tirar o teu cheiro do meu lábio superior. A persiana concede aos raios de luz artificial um breve momento de ribalta. Assaltam-me o sono. Assim como tu estarás a festejar a tua vitória. Conseguiste entrar. Descontraio e penso que amanhã tenho de fazer a barba. Amanhã será segunda-feira e será a segunda noite desde que tu te pintaste neste quarto. Decidiste deixar a tua memória neste escuro quarto. Decidiste ofuscar toda a luz que pela manhã entra e me enche de coragem… com um beijo… na testa. Seguraste-me e disseste-me que um seguro nem sempre é conforto, e que conforto nunca devia significar seguro. Decides encher-me de perguntas às quais já construíste elaboradas respostas retóricas, deixando-me sem tempo.
Levanto-me, agora, e vou pelo escuro beber um copo de água. A luz do frigorífico ilumina a gaveta de onde tiraste os talheres com os quais partilhámos segredos fúteis e banais ao sabor de um delicada refeição e de uma apetecida sobremesa... Volto a encher o copo e trago-o para o quarto. Atravesso a casa descalço, o frio satisfaz-me as sensações controláveis que imagino serem causais para melhor me saciar de escassos papéis de poder. Apanho a guitarra e … lembro-me que ontem a desafinaste. Ontem a minha guitarra decidiu tomar uma posição e cansou-se de levar às costas todas as minhas barreiras. Ontem, tocou e cantou todas as serenatas mais belas que inventadas já foram. Ontem, ontem… Parte-se uma corda e embate com violência no meu pulso direito. Que dor, está a ficar vermelho e como queimado, vou à casa de banho e passo por água, incha e fica roxo.
Levanto-me, agora, e vou pelo escuro beber um copo de água. A luz do frigorífico ilumina a gaveta de onde tiraste os talheres com os quais partilhámos segredos fúteis e banais ao sabor de um delicada refeição e de uma apetecida sobremesa... Volto a encher o copo e trago-o para o quarto. Atravesso a casa descalço, o frio satisfaz-me as sensações controláveis que imagino serem causais para melhor me saciar de escassos papéis de poder. Apanho a guitarra e … lembro-me que ontem a desafinaste. Ontem a minha guitarra decidiu tomar uma posição e cansou-se de levar às costas todas as minhas barreiras. Ontem, tocou e cantou todas as serenatas mais belas que inventadas já foram. Ontem, ontem… Parte-se uma corda e embate com violência no meu pulso direito. Que dor, está a ficar vermelho e como queimado, vou à casa de banho e passo por água, incha e fica roxo.
(Acordo, tenho os pés frios e sem lençóis. Puxo-os com violência.
Oh, desculpa, acordei-te)
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Luis
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Um grito é sempre surdo. Assim como eu sou um cone.
Não me compreendo, por vezes. Não no sentido de não me conhecer, mas do que quero. É que a verdade é tão passageira correndo pelos cavalos ilógicos da ilusão. Não sei em que fico. Se vou atrás de ti, ou do meu capricho. Um abraço com um sobretudo quente, preto, a cheirar a minha casa, imediatamente pegado a um casaco fino, de renda, e um cachecol encrespado com a brisa, a tua brisa… é sempre um abraço diferente. Até pelos teus cabelos, a emanarem essa selva de perdições carnais, essas tentativas da tua (por vezes oculta) faceta. Tentas mostrar aquilo que realmente és e decides que te vais a apaixonar pelo meu real significado. Objectivo, concreto. O emaranhado de complexos sistémicos. As palavras, essas ouve-las porque sabes que aprecio ouvidos… que adoro beijar-te no pescoço, saborear o cheiro com que enfatizas a tua suave pele quando te delicias sobre a água quente… e me fazes perder nesse minado campo de sensações. Aludimos tantas vezes os assuntos nossos. O nosso crer, o nosso ser. Nada mais. Falamos sobre contextos e espaços. Tempos e motivações contrárias. Sim, porque queres fintar-te a ti mesma, perdendo-te nos teus (e de quase todos) pensamentos curtos e acções sussurradas, só para depois eu te encontrar. E ai já não precisas de ser tu a sentir, mas o teu espaço envolvente. Aí, não precisas de te dar ao trabalho e de fazer a apoteose da alma, do espírito, do querer. Sei por experiencia que é mais fácil. Sei por experiencia que não quero isto até aos restos dos meus dias. A imensidão de dois corpos juntos é pequena quando falamos de duas vidas juntas. Perder-me-ei num mundo, sem regras. Porque tudo isto não implica regras. Implica o respeito, que esse também muda, consoante a moda. Umas vezes anda nu, outras vezes encasulado. Há dias assim, que nada me faz sentido. Que talvez, eu viva as horas não passando de um talvez.
Por isso quando estou contigo, não penso em nada. E quando não penso em nada, iludo-me contigo.
Não me compreendo, por vezes. Não no sentido de não me conhecer, mas do que quero. É que a verdade é tão passageira correndo pelos cavalos ilógicos da ilusão. Não sei em que fico. Se vou atrás de ti, ou do meu capricho. Um abraço com um sobretudo quente, preto, a cheirar a minha casa, imediatamente pegado a um casaco fino, de renda, e um cachecol encrespado com a brisa, a tua brisa… é sempre um abraço diferente. Até pelos teus cabelos, a emanarem essa selva de perdições carnais, essas tentativas da tua (por vezes oculta) faceta. Tentas mostrar aquilo que realmente és e decides que te vais a apaixonar pelo meu real significado. Objectivo, concreto. O emaranhado de complexos sistémicos. As palavras, essas ouve-las porque sabes que aprecio ouvidos… que adoro beijar-te no pescoço, saborear o cheiro com que enfatizas a tua suave pele quando te delicias sobre a água quente… e me fazes perder nesse minado campo de sensações. Aludimos tantas vezes os assuntos nossos. O nosso crer, o nosso ser. Nada mais. Falamos sobre contextos e espaços. Tempos e motivações contrárias. Sim, porque queres fintar-te a ti mesma, perdendo-te nos teus (e de quase todos) pensamentos curtos e acções sussurradas, só para depois eu te encontrar. E ai já não precisas de ser tu a sentir, mas o teu espaço envolvente. Aí, não precisas de te dar ao trabalho e de fazer a apoteose da alma, do espírito, do querer. Sei por experiencia que é mais fácil. Sei por experiencia que não quero isto até aos restos dos meus dias. A imensidão de dois corpos juntos é pequena quando falamos de duas vidas juntas. Perder-me-ei num mundo, sem regras. Porque tudo isto não implica regras. Implica o respeito, que esse também muda, consoante a moda. Umas vezes anda nu, outras vezes encasulado. Há dias assim, que nada me faz sentido. Que talvez, eu viva as horas não passando de um talvez.
Por isso quando estou contigo, não penso em nada. E quando não penso em nada, iludo-me contigo.
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Luis
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Sábado à noite. Livros de lado. Cansaço nas veias. Dor de alma.
Vela acesa. Sofá. Famous Grouse 20 anos. Uma pedra de gelo.
Já tinha saudades.
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Luis
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19:37h
19:37h
Já oiço o comboio a correr. O aperto do meu peito puxa todos aqueles ferros à força de mil cavalos a correr, livres, entre vales e montanhas. Não aguento (tiro outro cigarro). Cheguei há 25minutos. Talvez os mais longos que já vivi. Todas as minhas memórias me passaram, todas as faces que já escureci e fiz brilhar com os meus lábios. Todas as minhas melodias se compuseram numa sinfonia angustiante, que começou devagar, vivendo por acordes pausados e subiu a um ritmo alucinante, que me rebentava pela cabeça e me fazia entrar numa overdose de euforia, de angustia, de dor, de náusea, … (Travo demasiado, tusso)
Parou, incrível, o comboio parou. Talvez a mulher da minha vida estivesse a sair daquele comboio, e passasse por mim e me reconhecesse da nossa vida predestinada e construída sobre bases sólidas e largas, não vejo. Não quero saber. Saíste. Na realidade, vieste. Quer dizer… serás tu? Não quero acreditar que o tabaco já me entrou no cérebro e começou a apagar as minhas desfocadas memórias, até já a mim próprio me traio. Mas espera, preciso do cheiro. Mas estou constipado. A pele, preciso da pele, mas já é de noite escura e trazes um casaco preto enorme. E agora? Como se contra mim embatesse, um comboio trava a fundo na estação, os carris soltam faíscas e os meus ouvidos gemem de dor. O cigarro cai-me para o chão e fecho os olhos e tapo os ouvidos com as máximas forças que tenho. Parou. Lembro-me de ti outra vez e procuro-te. Escureceu desde que fechei os olhos, não pode ser, tenho de te encontrar. A noite não te pode levar. Tenho os meus melhores lençóis, o quarto está arrumado, tenho velas, aluguei filmes para vermos, já comprei o pequeno-almoço e coloquei amaciador na toalha com que de manhã nos iremos conhecer. Já visitei a cafetaria onde iremos rir na manhã seguinte. Já… acordava. Contraio novamente as pupilas e foco a multidão que resta a sair do comboio. Sinto-me a esvaziar. Alguém me suga o sangue pelas costas e não me consigo mover e ver-lhe a cara. Começo a sentir o frio na cara. Começo a ficar com o sangue congelado. Começo a não sentir. Sinto-me perdido num local que é meu. Quero ver e já não consigo focar, tanta gente e ninguém conhecido, tantas formas e não vejo as caras, as cores desaparecem e ficam as sombras, isto não me pode estar a acontecer, que fiz eu? Não, por favor…. Não pode ser verdade… Não…
“- Eu disse-te que a primeira vez que me ouvirias a voz seria colada ao teu ouvido, não foi?”. Tapou-me os olhos. Beijou-me, de vida.
Já oiço o comboio a correr. O aperto do meu peito puxa todos aqueles ferros à força de mil cavalos a correr, livres, entre vales e montanhas. Não aguento (tiro outro cigarro). Cheguei há 25minutos. Talvez os mais longos que já vivi. Todas as minhas memórias me passaram, todas as faces que já escureci e fiz brilhar com os meus lábios. Todas as minhas melodias se compuseram numa sinfonia angustiante, que começou devagar, vivendo por acordes pausados e subiu a um ritmo alucinante, que me rebentava pela cabeça e me fazia entrar numa overdose de euforia, de angustia, de dor, de náusea, … (Travo demasiado, tusso)
Parou, incrível, o comboio parou. Talvez a mulher da minha vida estivesse a sair daquele comboio, e passasse por mim e me reconhecesse da nossa vida predestinada e construída sobre bases sólidas e largas, não vejo. Não quero saber. Saíste. Na realidade, vieste. Quer dizer… serás tu? Não quero acreditar que o tabaco já me entrou no cérebro e começou a apagar as minhas desfocadas memórias, até já a mim próprio me traio. Mas espera, preciso do cheiro. Mas estou constipado. A pele, preciso da pele, mas já é de noite escura e trazes um casaco preto enorme. E agora? Como se contra mim embatesse, um comboio trava a fundo na estação, os carris soltam faíscas e os meus ouvidos gemem de dor. O cigarro cai-me para o chão e fecho os olhos e tapo os ouvidos com as máximas forças que tenho. Parou. Lembro-me de ti outra vez e procuro-te. Escureceu desde que fechei os olhos, não pode ser, tenho de te encontrar. A noite não te pode levar. Tenho os meus melhores lençóis, o quarto está arrumado, tenho velas, aluguei filmes para vermos, já comprei o pequeno-almoço e coloquei amaciador na toalha com que de manhã nos iremos conhecer. Já visitei a cafetaria onde iremos rir na manhã seguinte. Já… acordava. Contraio novamente as pupilas e foco a multidão que resta a sair do comboio. Sinto-me a esvaziar. Alguém me suga o sangue pelas costas e não me consigo mover e ver-lhe a cara. Começo a sentir o frio na cara. Começo a ficar com o sangue congelado. Começo a não sentir. Sinto-me perdido num local que é meu. Quero ver e já não consigo focar, tanta gente e ninguém conhecido, tantas formas e não vejo as caras, as cores desaparecem e ficam as sombras, isto não me pode estar a acontecer, que fiz eu? Não, por favor…. Não pode ser verdade… Não…
“- Eu disse-te que a primeira vez que me ouvirias a voz seria colada ao teu ouvido, não foi?”. Tapou-me os olhos. Beijou-me, de vida.
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Luis
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Maybe I will fall in love someday. Maybe “the one” will just appear in front of me, in some dark street and take me by the hand while kisses me softly. Maybe I will live in a secure place, with no risks to take and nothing to hide. Maybe I’ll say forever or never. I don’t know. Maybe I won't. All I can do is wait and be me. And yes, I will love me till' then. And yes, I’m not afraid to fall in love, any day, anywhere. Till' forever.
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